Cara Gente Branca

Um convite virtual para a celebração do dia das Bruxas pedia aos convidados que liberassem os pretos existentes dentro deles… E por esta razão, mas não apenas esta, o filme Cara gente branca inicia-se.

A Universidade de Winchester é o palco para tal e não me parece diferente de nenhuma outra universidade ou escola; há o grupinho dos intelectuais, dos playboys, das patriçolas (termo criado por mim), dos hippies, dos descolados, dos nerds, homossexuais e dos negros.

A confusão começa quando há uma eleição para a presidência da casa Armstrong-Parker, local aonde os negros residem e Sam vence Troy (atual presidente). Vence não por ter tido mais votos que ele, mas por uma manobra de Reggie, ex amigo de Troy, apaixonado por sua ex namorada.

Cara gente branca na verdade é um canal no You Tube e um programa de rádio criado pela Sam White, estudante do terceiro ano de comunicação e arte, que utiliza-se destes meios como forma de protesto dos negros aos brancos, seja pela maneira como são tratados ou pelo fato de serem tratados como minoria dentro da universidade; o que não deixam de ser.

Sam, que vive os seus próprios dilemas… Vive em cima do muro por acreditar que por ser fruto de miscigenação, tenha que escolher um lado e escolhe o lado que considera mais fraco. Filha de mãe negra e pai branco, lembra-se de ter vergonha do pai na infância, e hoje, não tem coragem de admitir seu sentimento por Gabe, um cara branco.

Troy é filho do reitor da faculdade. Negro, namora Sophia, uma garota branca, filha do presidente da universidade e irmã  de  Fletcher, líder de uma das fraternidades. Calouro no curso de ciências políticas, terminou o seu namoro com Sam para namorar Sophia por imposição do pai. Imposições estas que ele nunca questiona. É o negro diferenciado, que faz o estilo das garotas brancas.

Contudo, por um momento, opta por tomar as rédeas de sua vida, termina o namoro com Soph, e acaba saindo com Coco.

Colandrea, conhecida como Coco é uma negra de cabelo liso comprido, usa lentes de contato azuis e se veste como patriçola. Estudante de economia e de classe média, não gosta de ficar no meio dos negros e das mesmas coisas que eles; diz não curtir caras negros, mas acaba saindo com Troy e aparentemente, gosta; mesmo dizendo que saí com caras negros apenas por diversão.

Coco quer ser popular. Tanto, que faz uma entrevista para participar de um reality show e percebe que o único modo de poder fazer parte disto será confrontando Sam. Resolve bater de frente com o programa Cara gente branca e cria o seu próprio canal.

E em um de seus questionamentos, debate o fato dos brancos quererem ser negros e das negras desejarem ser loiras… O que não deixa de ser real no nosso mundo atual.

Parece até um pouco complicado entender como tudo isso funciona.

E nos perguntamos como muitos deles possam ser tão racistas e ao mesmo tempo adoradores de samba, reggae, rock (Chuck Berry e Hendrix não nos deixam mentir), Jay-Z, Racionais Mc’s e cultuem tanto nossa Senhora Aparecida.

Saibam que ter amigos negros, não os fazem menos racistas.

O filme nada mais é do que uma sátira ao comportamento humano… Uma sátira à diferença que provavelmente, nunca mude… Uma sátira ao egoísmo… Ao indivíduo.

CintiaOlimpio

CintiaOlimpio

Eu sou uma misturinha de tudo...
Loucura, sensatez, bagunça e lucidez...
Tem um pouco de mim aqui... Outro tanto acolá e muito espalhado por aí.
Sou uma mistura de sol, vento, brisa e mar...
Vezes calmaria e outras ventania... Menina.
Apaixonada pelas palavras, pelos sorrisos alheios, por mãos e por costas... Por mentes brilhantes também.
Devoradora de livros e um tanto desequilibrada quando se trata de natureza, esportes radicais e liberdade.
Escolhi os números como profissão, mas tenho descoberto que posso ser bem mais do que isto... Posso me tornar o que eu quiser... E provavelmente, me tornarei um tanto de outras coisas!!!
CintiaOlimpio

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