Human, um filme sobre todos nós

Human, um filme sobre todos nós, na verdade é um documentário.

Um documentário que nos envolve, nos deixa intrigados com o comportamento humano, intimada e vez ou outra nos coloca no lugar do outro.

É dividido em três partes e tem o depoimento de pessoas de todas as partes do mundo.

Homens, mulheres, idosos; cada qual com as suas particularidades, dores, amores e conflitos… Conflitos internos, externos, com o planeta, com a vida, com o universo.

O cineasta Yann Arthus-Bertrand passou três anos coletando histórias da vida real de duas mil pessoas em sessenta países e conseguiu extrair delas o que havia de mais profundo. Fossem elas pessoas comuns ou populares. Além de captar imagens incríveis de várias partes do hemisfério.

De todas as histórias que ouvi e li… De todo o pouquinho que contaram, tentarei ser o mais sucinta possível sobre as histórias com as quais mais me identifiquei e me emocionaram.

A primeira história e claro não poderia ser diferente, trata-se de amor; trata-se do poder de modificação que ele tem sobre nós e na capacidade de nos transformar no melhor e pior que podemos ser.

Essa é a história de “Leonard (EUA)”. Ele cresceu apanhando de seu padastro com extensões elétricas, cabides, pedaços de pau; “stepfather” este que dizia lhe bater porque o amava e que doía ainda mais nele.

Amor???

Custa a mim entender este “tal amor” ou esta “tal maneira de amar” que as pessoas dizem sentirem umas pelas outras… Mas enfim…

Leonard conta em seu depoimento que em função disto, cresceu tendo uma ideia errada do que era o amor e o mesmo amor que recebia, foi o amor que aprendeu a transmitir. Acreditava que para amar, precisaria ser ruim e consequentemente, fazia mal a todo mundo que amava. Media o amor pelo medo que irradiava e em relação à dor que alguém pudesse suportar.

… Lembrei um pouquinho da minha história e me vi nela. Cresci vendo o meu pai bater na minha mãe por uns bons anos, mas não a deixar. E não a vi mudar isto. Ela conta que até foi à delegacia, mas a intimação só chegou após a morte dele. Às vezes me pergunto, caso ele não houvesse morrido, o que teria acontecido.

Entretanto, no caso de Leonard, ele aprendeu o que era o amor de uma maneira totalmente controversa e de uma pessoa inesperada.

A segunda história com a qual, digamos, ou melhor, que me fez e faz pensar muito sobre o “tal amor” é a história do “Jorge (Brasil)”. Jorge começa dizendo o quão o amor é complicado para ele. E claro, não poderia ser diferente, afinal ele tem três amores…

Sim… Jorge tem três namoradas. Diz que ama as mulheres e que talvez até se trate de um problema, mas não consegue amar uma única.

Diz não saber se nasceu no país errado, já que aqui não é permitido, mas que é totalmente viável e possível o amor que ele sente por elas. Disse também não saber se esta sendo canalha, mas que cada uma o completa em um setor. Diz viver intensamente estes amores e as amar perdidamente, alucinadamente  e loucamente de paixão.

E quem somos nós para contradizê-lo???

Nar (Burma)… Começa o depoimento muito sentida; e é notável a sua tristeza. Na verdade, parece que pela primeira vez, teve a coragem de dizer ao outro o que sente e como se sente. Não fica claro como é a relação que possui, mas o fato de estar tão magoada e estar disposta a mudar, seja lá qual a culpa que tenha e mesmo que não tenha, é visível.

Contudo, uma coisa é óbvia. Ela só quer ser amada, ser feliz, passar o resto dos seus dias ao lado desta pessoa e está disposta a fazer o impossível para que isto dê certo.

E tem também muitas outras histórias…

De um senhor que nunca namorou; de um rapaz que era casado, mas após sofrer um acidente e sua esposa aguentar a barra por anos, se vê abandonado e pronto para recomeçar.

Um casal muito apaixonado, mas devido às deformações que ele possui, a família da moça não permitia que os dois ficassem juntos; resultado: ambos se envenenaram.

Há a história de transição de um homem que se tornou mulher; a esposa que o marido não permitia que trabalhasse fora; há outra, que como minha mãe, apanhava todos os dias e a que quase morreu assassinada.

São muitas histórias… Muitas!!!

… Estupro, fome, miséria, violência, guerra, descaso político, dor, perdas, morte, alegria, situações degradantes, felicidade, tristeza, amor, raiva, solidão, saudade… Pessoas que querem e precisam de tão pouco, enquanto outras tanto têm.

Sentimentos dos mais diversos.

Eu poderia contar o final de algumas destas histórias, mas as deixei sem conclusão propositalmente para que vocês, caso se interessem, possam assistir e como eu, se identificar um pouquinho com o outro; tomar cada história para si e talvez modificar algo dentro de cada um.

Vale a pena.

Afinal, o que nos torna humanos???

CintiaOlimpio

CintiaOlimpio

Eu sou uma misturinha de tudo...
Loucura, sensatez, bagunça e lucidez...
Tem um pouco de mim aqui... Outro tanto acolá e muito espalhado por aí.
Sou uma mistura de sol, vento, brisa e mar...
Vezes calmaria e outras ventania... Menina.
Apaixonada pelas palavras, pelos sorrisos alheios, por mãos e por costas... Por mentes brilhantes também.
Devoradora de livros e um tanto desequilibrada quando se trata de natureza, esportes radicais e liberdade.
Escolhi os números como profissão, mas tenho descoberto que posso ser bem mais do que isto... Posso me tornar o que eu quiser... E provavelmente, me tornarei um tanto de outras coisas!!!
CintiaOlimpio

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