O valor do ser humano

Sei que isto não é nenhuma novidade; mas será que alguém já parou mesmo para pensar o quanto valemos?

Acho que valemos aquele nosso 4 x 4, o corpo sarado, o belo diploma de graduação pela melhor universidade do país, a quantidade de viagens que fizemos, as idiomas que falamos ou ainda, o saldo da nossa conta bancaria.

Realmente somos muito significativos.

Já havia chegado a está conclusão há muito tempo. Contudo, existem alguns fantasmas na minha história, com os quais eu ainda não aprendi a lidar e sempre que algo que me mede não pelo que sou ou possa ser, mas pelo que apresento em números, fico realmente chateada e me sinto derrotada.

Para que entendam, digo isto porque, como muitos de nós, sempre pensei em ter uma profissão etc., ganhar grana de maneira honesta e que valesse todo o esforço de quatro anos de estudos, cursos extracurriculares e especializações, com o qual poderia dar aos meus pais ao menos uma casa decente, aonde eles poderiam gozar do restante de suas vidas em paz.

Então, vou a uma empresa onde sou tratada como um número, me entregam um teste com 65 questões todas em inglês, sendo um pouco mais de um terço de raciocínio lógico e matemática, e após alguns dias de espera, me avisam que não consegui a pontuação suficiente para atuar na área para o qual fui indicada, mas que eles indicariam para outra vaga, quando fosse possível.

… Me senti um lixo!!!

Confesso que algumas lágrimas pensaram em rolar, pois por um momento, pensei que as coisas finalmente iriam entrar nos eixos e talvez, eu tivesse o tão sonhado final feliz.

… Me enganei.

Senti raiva; questionei Deus e perguntei como funciona a seleção dos que conseguiram tudo na vida de maneira fácil, dos que vieram em berço de ouro e dos outros… Aqueles que acordam cedo, recebem um salário miserável que é quase uma ajuda de custo, que mau lhes cobre o aluguel e uma educação de qualidade para os seus filhos… Bom, os outros provavelmente sejam apenas os outros.

Então pensei: “Quer saber? Eles que vão à merda e enfiem está bosta de vaga no… meio do nariz!!!!”.

Eu sou melhor do que isto. Eu sei que sou. Sim, tenho coisas a melhorar. Sei que tenho e reconheço. Não estou menosprezando a vaga e menos ainda a pessoa que me indicou.

Seria um grande começo, talvez, uma grande história de sofrimento, dificuldade e perseverança que contaria aos meus talvez filhos, em um talvez futuro. Entretanto, isto me serviu para tantas coisas… Passei a ver as coisas de outra maneira.

Tenho o espírito livre; sempre tive e não quero ser capitalista e me trancar em um ambiente 12 horas por dia, para satisfazer- me com coisas materiais.

E tem mais… Beethoven era surdo, Michael Jordan e Kobe Bryant ruim de basquete, Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy era egocêntrico; Einstein tinha notas baixas na escola, Bill Gates e Steve Jobs eram péssimo alunos; aliás, Jobs nem terminou a faculdade, Garrincha tinha as pernas tortas, entre tantos outros exemplos..

E só tornaram se o que foram e são, por acreditarem neles mesmos.

CintiaOlimpio

CintiaOlimpio

Eu sou uma misturinha de tudo...
Loucura, sensatez, bagunça e lucidez...
Tem um pouco de mim aqui... Outro tanto acolá e muito espalhado por aí.
Sou uma mistura de sol, vento, brisa e mar...
Vezes calmaria e outras ventania... Menina.
Apaixonada pelas palavras, pelos sorrisos alheios, por mãos e por costas... Por mentes brilhantes também.
Devoradora de livros e um tanto desequilibrada quando se trata de natureza, esportes radicais e liberdade.
Escolhi os números como profissão, mas tenho descoberto que posso ser bem mais do que isto... Posso me tornar o que eu quiser... E provavelmente, me tornarei um tanto de outras coisas!!!
CintiaOlimpio

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