Paralimpíadas

As Olimpíadas acabaram… E convenhamos que foi muito legal acompanhar aquela agitação toda e quantidade imensa de esportes; alguns até desconhecidos por mim e acredito que por muitos de vocês também.

Tivemos nadadores gatos mentirosos e com pouca massa encefálica (o que será que ele pensou que ganharia mentindo?!); nadador não tão surpreso por sua colocação ao final de etapas e repórter surpresa com sua atitude ao ouvi-lo dizer que estava “felizão com o seu sexto lugar (qual o problema em ele se sentir feliz por isto?)”. Tivemos Michael Phelps se despedindo das piscinas, Usain Bolt pegador, futebol, vôlei e ginástica olímpica masculina colhendo resultados bem melhores que a versão feminina dos mesmos; entretanto tivemos outras tantas mulheres detonando em muitos outros esportes, inclusive judô, mas a competição era entre atletas de países e não entre homens e mulheres.

A competição provavelmente, para muitos, tenha sido contra si próprio, seu tempo e seus objetivos.

Tivemos poucos ouros para o Brasil e muitos para os Estados Unidos… Sinal de que o nosso país deixou muito a desejar no quesito esporte e tem muito que investir em atletas dispostos a melhorar sua performance, tempo e condição.

Ainda assim, eu assisti muito de quase tudo… E me surpreendi por notar o quanto gostava de um monte destes esportes e do quanto pude aprender com os que não me eram familiares.

Contudo, as Olimpíadas acabaram, as Paralimpíadas estão para começar e é notável o pré-conceito com a divulgação do evento e com a quantidade de pessoas interessadas em acompanhar com o mesmo ritmo e disposição que se propuseram às Olimpíadas.

E aí entraram na história Paulinho Vilhena (de quem sou muito fã) e Cléo Pires, que aceitaram de prontidão serem embaixadores do Comitê Paralímpico Brasileiro, assim dando ênfase à chuva de críticas que viria à seguir por estrelarem a campanha “somos todos Paralímpicos”.

Uma das primeiras reportagens que li, alguns leitores perguntaram o porque da necessidade de utilizarem pessoas famosas e não os próprios atletas anônimos para promove-la.

A resposta é bem simples… Quando o Comitê sugeriu que criassem uma campanha e a Cléo Pires e o Paulo Vilhena sugeriram esta ideia e se disponibilizaram a estrela-la era exatamente para isto: para dar notoriedade à propaganda. Para chamar a atenção. O que não teria acontecido com personagens anônimos, infelizmente.

A verdade é que tudo, absolutamente tudo neste país, ou melhor, no mundo, sofre um preconceito tamanho. Os ingressos para as Olimpíadas se esgotaram em fração de segundos. Enquanto os ingressos para as Paralimpíadas estão sobrando aos montes ainda, a praticamente uma semana do evento.

Pelo amor de Deus… O ingresso mais caro, custa a bagatela de R$ 90,00. Os ingressos das olimpíadas tinham preços para lá de R$ 600,00, e ainda assim, não restou um.

Por que eu não compro?!

Infelizmente, porque não haverá eventos em Sampa, porque se houvesse, provavelmente, eu compareceria em muitos deles e com todo o prazer do mundo.

A questão é que as pessoas criticam tudo a torto e a direito.

Acabou de passar no jornal, que chamaram um atleta paralímpico com deficiência na perna de Saci Pererê… Ainda tem a falta de respeito.

A questão é que as pessoas não fazem nada pelo outro, e ainda dispendem do seu tempo, cuidando da vida de quem faz.

… Por que a campanha incomodou tanto?!

Porque a Cléo Pires é um mulherão que não poderia ter um defeito deste tipo!?!

Ops… Deficiência né?!

Provavelmente porque você que a deseja, não “a pegaria sem o bracinho”.

Ou porque o Paulinho é bonito demais e não ficaria bem sem a metade de uma perna!?!

Pessoas… Se orientem.

Eles continuariam sendo pessoas como nós, como são os atletas e mereceriam respeito, amor, o direito de ir e vir, fazer o que quisessem e serem felizes como bem entendessem.

Entenderam…?!

Então, pensem antes de criticar… Eles fizeram o que nenhum de vocês fizeram; e se incomoda tanto, faça um favor à humanidade.

Faça algo por ela de maneira que seja perceptível e sua atitude possa ser notada.

Levante o seu rabo da porra do sofá.

… Sempre é um bom momento para começar.

#somostodosparalimpicos

CintiaOlimpio

CintiaOlimpio

Eu sou uma misturinha de tudo...
Loucura, sensatez, bagunça e lucidez...
Tem um pouco de mim aqui... Outro tanto acolá e muito espalhado por aí.
Sou uma mistura de sol, vento, brisa e mar...
Vezes calmaria e outras ventania... Menina.
Apaixonada pelas palavras, pelos sorrisos alheios, por mãos e por costas... Por mentes brilhantes também.
Devoradora de livros e um tanto desequilibrada quando se trata de natureza, esportes radicais e liberdade.
Escolhi os números como profissão, mas tenho descoberto que posso ser bem mais do que isto... Posso me tornar o que eu quiser... E provavelmente, me tornarei um tanto de outras coisas!!!
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